Diretores de ministérios globais pedem unidade na missão de Deus

30 de abril de 2019, Atlanta, GA.

A missão de Deus de salvar, curar e transformar pede a todos os Metodistas Unidos que participem independentemente da forma que a sua igreja assumir no futuro.

Este é o convite de uma declaração sem precedentes “Unidos na Missão de Deus”, a mesma foi aprovada por unanimidade pelos 32 diretores votantes da Junta Geral de Ministérios Globais, que é a agência missionária da igreja que incorpora o Comitê Metodista Unido de Ajuda Humanitária (UMCOR). A declaração surgiu nas conversas ao redor da mesa de 12 de abril sobre a atual e profunda divisão Metodista Unida, ocorrida a partir da Conferência Geral Especial de Fevereiro.

Muitos dos diretores, vindos de várias partes do mundo, expressaram preocupação com o impacto negativo que a divisão está tendo na missão da Igreja e no trabalho humanitário. Os diretores representam uma ampla gama de perspectivas teológicas e culturais, mas comprometem-se com o que a declaração chama de “obra de Deus”.

“Reconhecemos e lamentamos a profunda divisão em nossa Igreja Metodista Unida e o conflito entre povos e lugares”, admite a declaração. “Ainda não sabemos como superar essa divisão, mas como Ministérios Globais e UMCOR, acreditamos que o trabalho que Deus nos chamou para fazer representa o que está certo com a igreja global. Acreditamos que temos uma oportunidade de trabalhar pela cura, paz e reconciliação – não importa qual seja a forma do futuro do Metodismo Unido”.

 “Esta declaração reflete nossa profunda e sincera esperança, como diretores, de que a divisão em nossa igreja não diminuirá nosso compromisso com a missão de Deus”, disse o bispo Hee-Soo Jung, líder episcopal da Área de Wisconsin e presidente dos Ministérios Globais. “Devemos lembrar e confessar que a missão de Deus é o que sustenta e anima a igreja”.

Os diretores dos Ministérios Globais são escolhidos por meio de um processo de eleição por jurisdições geográficas nos Estados Unidos e conferências centrais regionais na África, Europa/Eurásia e Filipinas. Incluem 11 diretores de conferências centrais, mais do que qualquer outra agência geral. O conselho tem 32 votos e cinco membros não votantes.

Após a mesa de negociações em 12 de abril, a Rev. Katie Dawson, diretora da Conferência Anual de Iowa, lançou o convite de unidade na missão. O texto passou por revisão e edição e foi submetido aos diretores votantes para aprovação.

Segue aqui abaixo o texto completo da Declaração.

Unidos na missão de Deus

Um convite dos diretores da Junta Geral de Ministérios Globais,

A Igreja Metodista Unida

A primeira sociedade missionária metodista na tradição continuada de Ministérios Globais foi fundada em 1819 para promover uma missão que atravessou fronteiras de cultura, raça, etnia, classe e nação. Duzentos anos depois, essa missão de cruzar fronteiras permanece central para quem somos como Metodistas Unidos.

Quando o bispo Herbert Welch fundou o que hoje é o Comitê de Assistência da Igreja Metodista Unida, ele disse à Conferência Geral de 1940 que a agência serviria como uma “voz de consciência entre os metodistas para atuar no alívio do sofrimento humano sem distinção de raça, cor ou credo”.  Este mandato permanece verdadeiro e é praticado até hoje.

 O trabalho de Ministérios Globais e da UMCOR sempre conectou igrejas, pessoas e parceiros Metodistas Unidos na missão de Deus – não em nossa missão – em uma variedade de contextos, países e culturas. Como os Metodistas Unidos celebram 200 anos de missão, também estamos aprendendo com esse passado e reivindicamos uma teologia da missão enfatizando a Missio Dei. Estamos aprendendo a confessar os danos e a natureza tóxica do domínio colonial e estamos em missão de testemunhar o que Deus fez e está fazendo e aprender com o que Deus está fazendo em todas as terras onde os discípulos se reúnem em nome de Jesus Cristo.

 Quando uma tempestade ou conflito destrói uma comunidade, ela o faz sem considerar orientação sexual, perspectiva teológica, raça, classe, gênero ou religião. E quando a UMCOR aparece para responder, construir resiliência, reconstruir casas e capacitar pessoas, isso acontece porque todas as pessoas daquela comunidade são vizinhas e somos chamados por Deus para viver as boas novas de Jesus Cristo. Os Ministérios Globais trazem visão aos cegos, curam os doentes, buscam a libertação dos prisioneiros e a justiça para os oprimidos, constroem a paz onde há conflitos, convidam as pessoas a serem transformadas e aperfeiçoadas pelo amor de Deus e iniciam novas comunidades de fé em vários contextos ao redor do mundo.

 Os Ministérios Globais têm missionários, voluntários e parceiros em mais de 125 países no mundo, e nossa missão realmente se move de todos os lugares para todos os lugares. Nossos projetos avançados são uma resposta direta às necessidades priorizadas pelas comunidades com as quais estamos em parceria. Nós capacitamos mulheres e meninas. Nós salvamos as vidas de bebês e mães. Trabalhamos para garantir os direitos dos migrantes. Ajudamos a criar acesso a direitos humanos, equidade de gênero e saúde reprodutiva. Estamos ajudando as comunidades a serem guardiãs da terra e a cuidar da criação. Estamos fornecendo recursos para o desenvolvimento sustentável em comunidades empobrecidas. Criamos uma fundação através do Imagine No Malaria para os conselhos de saúde que respondem de forma holística às necessidades de saúde das comunidades. Os Ministérios Globais fazem isso conectando a igreja em missão de todos os lugares a todos os lugares.

 Este é o trabalho de Deus.

 Reconhecemos e lamentamos a profunda divisão em nossa Igreja Metodista Unida e o conflito entre povos e lugares. Nós ainda não sabemos como superar essa divisão, mas como Ministérios Globais e UMCOR, acreditamos que o trabalho que Deus nos chamou para fazer, representa o que está certo com a igreja global. Acreditamos que temos a oportunidade de trabalhar pela cura, pela paz e pela reconciliação – independentemente da forma que o futuro do Metodismo Unido tome.

 Continuamos comprometidos com a Missio Dei. E convidamos você a participar e continuar participando do que Deus já está fazendo para salvar, curar e transformar as vidas de todas as pessoas, em todos os lugares deste mundo.

 

Carta Manifesto da Frente em Defesa do Estatuto da Igualdade Racial do Município de Salvador

Processos históricos e ideológicos como a escravidão, a colonização, o branqueamento e o mito da democracia racial, forjaram padrões, subalternidades e exclusão contra a população negra no Brasil.

Segundo dados do IBGE de 2017, a cidade de Salvador tem sua população composta de aproximadamente 82% de negros (pretos e pardos) e por apenas 17% de pessoas autodeclaradas brancas. Ainda segundo este mesmo levantamento, o IBGE aponta a cidade de Salvador como a capital da desigualdade. Dados alarmantes como a diferença de cerca de 67,8% entre os salários de pretos e brancos indicam como o racismo condiciona a vida da população negra nesta cidade.

Reparação, retratação, igualdade racial e equidade precisam ser premissas de um Estado comprometido com o seu povo. Para assegurar o combate às iniquidades, sobretudo as que interseccionam raça, gênero e classe, e que constroem distância social no Brasil entre negros, indígenas e brancos é necessário vontade política, compromisso com a história e com a justiça devida à população negra deste país.

Direito à dignidade da pessoa humana, direito à vida, direito à liberdade de culto e outros aspectos básicos contidos na Constituição Brasileira necessitam de instrumentos garantidores, mecanismos que transformem princípios ideais em concretudes na vida dos indivíduos marcados pela exclusão. O Estatuto da Igualdade Racial do Município de Salvador é uma das ferramentas fundamentais para a promoção da justiça e da equidade social.

A Frente em Defesa do Estatuto da Igualdade Racial de Salvador é composta por corpos em luta, vontades sinceras e entendimentos engajados; se coloca para exigir a discussão e votação desta lei; converge as experiências concretas de militantes do Movimento Negro e pessoas comprometidas com o enfrentamento das ofensivas de um projeto político excludente e genocida.

Não nos eximiremos, combateremos o racismo, o machismo, o ódio religioso, a LGBTfobia e garantiremos a existência e a inviolabilidade dos nossos corpos, direitos, consciências e subjetividades!

 

Vereador Silvio Humberto (PSB)

Vereadora Marta Rodrigues (PT)

Vereador Suíca (PT)

Vereador Marcos Mendes (PSol)

Deputada Estadual Olívia Santana (PCdoB)

Marcha do Empoderamento Crespo

Frente Makota Valdina

Unegro

Mahin – Organização de Mulheres Negras

Candances – Mulheres Negras e Jovens

Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas

Ilê Axé Torrun Gunan

Rede de Mulheres de Terreiro

Conselho Pastoral de Pescadores CPP

Instituto Búzios

Lista Negra

Instituto CEAFRO – Iceafro

Rede Nacional de Feminista Antiproibicionista

ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros

Coletivo Negras  – UFRB

Coletivo Angela Davis – UFRB

Grupo de Pesquisa Firminas Pós Colonialidade

Fórum Marielles

Campanha Brasil sem Racismo

Escolinha Maria Felipa

Campanha Parem de nos Matar

Campanha Fazer Valer as Leis 10639 e 11645

Capacidade Evolutiva

Afoxé Filhos do Congo

Movimento de Libertação da Mulher (Nordeste de Amaralina)

Rede de Sapatá

APAN Associação de Profissional do Audiovisual Negro

Rede Afro LGBT

Rede Nacional de Negras e Negros LGTQ

LECADIA – Laboratório de Estudos conexões Atlânticas e diáspora africana

COGITARE: Pesquisas sobre Corpo, gênero, representações e práticas de cuidado

Coletivo de Trans pra Frente

Coordenação de Políticas Afirmativas da UEFS – Propae

Grupo de Estudos Negros do Ifbaiano Santa Inês

UnaLgbt

Coletivo LESBIBAHIA

Mães do Arco-íris

Núcleo de Desenvolvimento Social e Cultura da Bahia – NUDESC

Transbatukada

Rede Trans Brasil

Associação de Remanescente de Quilombos e Povos Tradicionais de Entre Rios e Adjacências

Articulação de Lésbicas Brasileiras

União da Juventude Socialista

União Brasileira de Mulheres

União de Estudantes da Bahia

Círculo Palmarino

Instituto Cultural Caras e Bocas

Coletivo Luiza Bairros

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço

 

 

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

Fórum Ecumênico ACT Brasil e outras entidades divulgam nota contra violência no campo

 

NOTA DE POSICIONAMENTO

CONTRA VIOLÊNCIA NO CAMPO

Acesse a versão em inglês aqui/ English version here.

Não é de hoje que o Presidente Bolsonaro utiliza-se do discurso da segurança para sustentar posicionamentos em geral violentos e insuflar o ódio entre grupos. Isto por si só, mostra que o Presidente carece mesmo reconhecer o lugar que ora ocupa e as atribuições que lhe são devidas. Ao anunciar que encaminhará para a Câmara Federal um projeto de lei, que dá ao proprietário rural total liberdade para atirar em caso de invasão da sua propriedade sem que isto incorra em punição, está efetivamente defendendo e concedendo licença para matar. Como se não bastasse, ao dizer que esta “é uma maneira de ajudar a combater a violência no campo”, está atestando que seu governo não tem política pública efetiva de segurança, e que um dos caminhos é armar a população e terceirizar a segurança de forma ilegal.

Nenhum país se afirma enfrentando questões sociais como é o caso da concentração da terra e de riquezas com ações de combate armado, nem com o uso da força policial e muito menos com a divisão da sociedade entre os que merecem viver e os que não merecem viver, sendo que os que têm direito à vida são os proprietários e os que não têm direito à vida são os camponeses/as sem terra ou os grupos que lutam por terra e território. Esta é a lógica defendida pelo atual governo, uma vez que trata movimentos e grupos de luta social pela terra e território como invasores, mas ao mesmo tempo é leniente e fecha os olhos para outros grupos, fazendeiros e grileiros que invadem e exploram propriedades públicas ou áreas de reservas ambientais.  A luta pela terra e pelo território é legítima, portanto, os movimentos sociais organizados, camponeses e camponesas sem terra, têm todo o direito de reivindicar sim a Reforma Agrária e de ocupar toda e qualquer área improdutiva, assim como também os povos indígenas e comunidades tradicionais tem direito aos seus territórios. Neste sentido, não é aceitável e plausível que um governo em regimes democráticos tome partido autorizando e fomentando que proprietários usem da força e da violência para enfrentar aqueles que lutam de forma legítima por seus direitos.

A Constituição Federal é claríssima em dizer que a propriedade é um direito.  No entanto, a Constituição também diz que a terra deve ter função social. Portanto, quando movimentos e grupos de luta pela terra e por território se organizam para lutar contra a concentração agrária ou pela garantia de seus territórios, eles estão lutando para que a Constituição seja respeitada. A defesa da propriedade privada não está acima do direito dos camponeses e das camponesas viverem dignamente, ou dos povos indígenas e comunidades tradicionais produzirem e reproduzirem seus meios de vida. Há um princípio ético e humanista que defende que a concentração de terra torna-se imoral sempre que esteja descumprindo o princípio maior da sua função social, o que, portanto, se sobrepõe ao sentido da propriedade privada em si mesma.

Por fim, o presidente não pode subtrair do Estado, o poder de dirimir os conflitos, de investigar, de julgar, de punir, incentivando a “justiça com as próprias mãos”, quando desloca para o cidadão o poder “de se defender”. Sob este aspecto a Constituição Federal não garante salvaguarda a nenhum cidadão sob hipótese alguma. Dizer que proprietários de terra estão autorizados a atirar atenta contra todos os princípios civilizatórios, além de constitucionais. Nenhum cidadão está acima da Lei. Segundo a Constituição de 1988, o que nos rege é o princípio da igualdade.

É assustador e estarrecedor o fato da autoridade máxima do país declarar que proprietários de terras estão livres para atirar. O presidente Jair Bolsonaro está insuflando ódio e incitando a sociedade brasileira ao conflito. Aos que comemoram tal declaração, é importante que considerem que a afirmação do presidente Jair Bolsonaro coloca os proprietários de terra na ilegalidade. Isso porque, mesmo que o presidente diga que podem atirar, a legislação do Brasil continua dizendo que a prática do crime deve ser penalizada. Desde já manifestamos nossa posição contrária a proposta de mudanças que quer inserir o excludente de ilicitude na lei penal brasileira!

Mais do que nunca precisamos fortalecer nossas convergências contra a violência no campo e em todos os lugares!

Brasília, 30 de abril de 2019.

 

Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil

Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

Processo de Articulação e Diálogo – PAD

Parceiros de MISEREOR no Brasil

Fórum Ecumênico ACT Brasil

Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH

SOS Corpo – Instituto Feminista para Democracia

Comissão Pastoral da Terra – CPT

Fórum Ecumênico ACT Brasil se posiciona sobre jovem evangélica que deixa o país após série de ameaças

O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), do qual KOINONIA e outras organizações parceiras como Conselho Nacional da Igrejas Cristãs (CONIC), Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), fazem parte, divulgou hoje a nota em apoio à ativista evangélica Camila Mantovani. Confira  a nota:

Nota de Solidariedade à Camila Mantovani e seus familiares

“Felizes as pessoas que promovem a paz,
porque serão chamadas filhas de Deus” (Mt5.9)
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) expressam irrestrita solidariedade à Camila Mantovani e seus familiares.
Uma das atuações de Camila, uma jovem evangélica, é prestar solidariedade e apoio pastoral a mulheres evangélicas que sofrem violência doméstica e não conseguem romper com este ciclo porque são orientadas por lideranças religiosas de que “a mulher cristã deve ser submissa a seu marido”.
Lembramos que nas histórias do Antigo Testamento bíblico muitas mulheres ousaram desafiar o sistema opressor, entre elas, Vasti, que não se submeteu ao rei Assuero (Est 1.1-22).
Há bastante tempo, o protagonismo de Camila tem provocado a raiva de líderes religiosos evangélicos fundamentalistas. Hoje, a raiva tornou-se ódio.
As ameaças se tornaram graves. Sua casa e seus familiares passaram a ser vigiados e Camila ficou sem lugar fixo para morar. Foi obrigada a mudar a rotina. A gravidade das ameaças obriga Camila a sair do país.
O CONIC e o FEACT colocam-se ao lado de Camila e de seus familiares. Denunciam que outras pessoas evangélicas, engajadas em movimentos de promoção e defesa dos direitos humanos, estão sofrendo ameaças semelhantes.
A perseguição vivida por estas pessoas é consequência da instrumentalização da fé cristã para legitimar práticas de violência e discursos de ódio. O fundamentalismo religioso não aceita o pluralismo e nem a crítica à religião – mesmo que ela cause algum tipo de opressão ou violência.
A fé cristã não pode ser instrumentalizada para subjugar as pessoas, nem para dominar territórios, impondo medo às pessoas. A fé cristã não pode ser associada com armas e nem com o crime organizado.
A fé evangélica não é violência. Não está fundamentada no exclusivismo e nem no autoritarismo. Ela se orienta pela graça amorosa de Deus e pela liberdade.  É este o testemunho das muitas tradições evangélicas no país. Não aceitaremos que nossa tradição de fé seja instrumentalizada para a promoção do ódio, do racismo, do sexismo e outras formas de dominação e violência.
Que a paz de Jesus Cristo, seu testemunho radical de vida, contrário a todo o poder opressor estatal e religioso nos oriente e fortaleça.
Fórum Ecumênico ACT BRASIL

Conselho Mundial de Igrejas realiza mapeamento ecumênico de instalações cristãs de saúde

Com o objetivo de apoiar a advocacia, mobilização de recursos e alocação e networking entre os provedores e facilitadores cristãos de saúde, o Conselho Mundial de Igrejas (WCC) inicia um mapeamento ecumênico global de instalações de saúde cristãs.

No ano passado o Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas aprovou uma estratégia Ecumênica de saúde global destinada a fortalecer a contribuição das igrejas para “saúde e bem-estar para todos” (objetivo de desenvolvimento sustentável n º 3). E as informações do mapeamento serão úteis para as igrejas, as organizações cristãs internacionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e outras agências internacionais de desenvolvimento, bem como os governos.

Muitos estabelecimentos de cuidados de saúde (HCFs) de igrejas enfrentam desafios com o financiamento de serviços, especialmente em serviços que atendem populações mais vulneráveis, com cuidados de saúde de qualidade. Outro problema é a falta generalizada de água potável adequada, saneamento e higiene em estabelecimentos de cuidados de saúde. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já fez um apelo à ação, visando alcançar 100% de cobertura básica de serviços em todos os HCFs em todo o mundo até 2030. Além disso, a OMS lidera uma iniciativa para fortalecer a emergência e o cuidado cirúrgico essencial como um componente da cobertura universal de saúde.

No caso de projeto sociais de organizações ecumênicas, temos o exemplo de KOINONIA, que por meio de seus eixos temáticos de trabalho também atua com projetos ligados à saúde em relação à prevenção ao HIV/Aids e Outras Infecções Sexualmente Transmissíveis entre a população LGBTI+, sobretudo juventude, como atual projeto Prevenção Sem Fronteiras, bem como as rodas proporcionadas pela Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência que também discute questões do bem estar físico, emocional e saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Exemplos como os acima mostram como uma abordagem coletiva e ecumênica pode contribuir para os serviços prestados às comunidades. Por conta disso, foi elaborado uma pesquisa online para facilitar o mapeamento. O Conselho Mundial de Igrejas também enfatiza que os dados serão armazenados pelo órgão em Genebra, de acordo com as leis suíças sobre proteção de dados e segurança e que o feedback dos dados será dado a todas as instituições participantes.

Com assistência técnica da Associação Médica Cristã da Índia, foram desenvolvidos dois questionários online destinadas às:

– Associações de saúde cristã, redes ou qualquer organização, a nível global, regional, nacional ou subnacional. Esta pesquisa está localizada em: https://cmc-biostatistics.ac.in/redcap/surveys/?s=MLK4MW7LD7

– Próprias instalações de saúde cristãs, incluindo hospitais, centros de saúde, instituições de formação ou organizações comunitárias. Esta pesquisa está localizada em: https://cmc-biostatistics.ac.in/redcap/surveys/?s=CNX7TRXDH9.

 

 

Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais

No dia 03 de abril de 2019 ocorreu em Camamu/BA o Primeiro Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais, realizado nas dependências da Igreja Batista Metropolitana de Barcelos do Sul.

O Seminário foi promovido e organizado pelas comunidades tradicionais e pelo Conselho Pastoral dos Pescadores, com o apoio do SASOP (Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais), STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Presentes também o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e a Knauf, empresa já instalada com o objetivo comercial da exploração de Gipsita.

KOINONIA, apresentou parte do relatório elaborado no Baixo Sul da Bahia, dando ênfase aos impactos da mineração na vida das pessoas, em especial às mulheres. Também trouxe para o debate o trâmite jurídico/administrativo no Brasil.

O MAM, mostrou as consequências desastrosas e criminais do modelo extrativista brasileiro, trazendo como exemplo os crimes de Mariana e Brumadinho.

A representante da Ilha de Maré e CPP, trouxe uma fala das mães que resistem às doenças que atingem seus filhos, às drogas e tráfico em seus territórios, à exploração sexual e a luta das “Viúvas de Maridos Vivos” que criam os filhos e filhas da mineração, sozinhas.

Entre as denúncias feitas pelas comunidades tradicionais, a empresa Knauf é citada por explorar gipsita no primeiro trimestre de 2019, sem informação e consulta, além de uma  possível cooptação de algumas de suas lideranças. A mineradora Rio Tinto procura Bauxita na região. Os mangues estão sendo destruídos com a extração de areia para a construção civil, os moradores são ameaçados de morte e tem suas propriedades invadidas para a exploração.

Representantes da Knauf, tentaram diminuir os impactos reais de suas atividades, afirmando que a extração de Gipsita não tem risco de contaminar o lençol freático e nem produzir reações químicas na população. Segundo a empresa, o trabalho da mineradora é totalmente natural. A expectativa da empresa é abrir vagas de empregos diretos e indiretos, além de promover cursos profissionalizantes para os moradores da comunidade

Por fim foi construída uma agenda de organização e acompanhamento da atuação da mineração, seus impactos na região e marcado para o dia 16 de abril na comunidade.

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

Texto: Tárcito Vivas / Fotos: Tárcito Vivas e Camila Chagas / Revisão: Solange Simonato

Fotos do Seminário sobre Mineração e Sustentabilidade das Comunidades Tradicionais:

FEACT – Brumadinho: 70 dias depois e infinitas realidades de um mesmo crime

Região do Córrego do Feijão, atingida pelo rompimento da barragem. Rodrigo Zaim R.U.A/Christian Aid

 

Dois meses se passaram desde o dia 25 de janeiro. Há dois meses que a vida das pessoas da região de Brumadinho (MG), estacionou no crime cometido pela mineradora Vale do Rio Doce, com o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão . Dois meses depois do “auê” da imprensa tradicional e sua cobertura quantitativa. Número de mortos, desaparecidos, sobreviventes, investimentos que caíram, “dinheiros” perdidos.

“A Vale roubou minha paz de espírito. Perdi minha cunhada e minha irmã. Minha cunhada foi encontrada, sofremos, mas conseguimos fechar esse capítulo. Mas agora eu vivo na espera, todos os dias, por notícias sobre a minha irmã. Não consigo mais fazer o que era minha maior alegria, ir caminhar no meio do mato, porque a qualquer momento penso que vão me ligar pra dizer que encontraram o corpo dela.” – Atamaio Ferreira, morador de Córrego do Feijão.

Desde janeiro o Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), coordenado por KOINONIA, Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e parceiros locais estão atuando no apoio psicossocial e distribuição de água e alimentos para famílias atingidas no crime de Brumadinho. Tudo isso graças ao Fundo de Resposta Rápida da ACT Aliança.

Além disso, o trabalho também se deu em parcerias com o Ministério Público (MPF), a seção local de Minas Gerais do escritório do Defensor Público (DPU), Igreja Católica e Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC-MG).

Débora Matte é psicóloga de formação e atuou como orientadora e monitora das equipes de atendimento psicossocial da articulação MAB/FEACT – KOINONIA. Ela e outros parceiros relataram que se tornou comum na região ouvir histórias de crianças desenhando corpos, sangue e helicópteros, num sinal claro da experiência vivida. A moradora Sara de Souza Silva conta sobre o trauma em seus filhos, que não conseguem mais dormir sozinhos.

“Para mim, a Vale tinha que tirar todo mundo daqui. Como as crianças vão crescer com essa lembrança? Como vai ficar a cabeça delas no meio dessa lama toda?”.

A região apresenta cenários distintos e complexos. No centro de Brumadinho, a vida tenta manter uma normalidade, e as famílias da região do Córrego do Feijão pensam em como seguir daqui para frente.

Confira a reportagem especial completa abaixo:

Brumadinho: 70 dias depois e infinitas realidades de um mesmo crime (Português)

Brumadinho: 70 días después y infinitas realidades de un mismo crimen (Español) – ALC noticías

* Por Natália Blanco/ KOINONIA com a colaboração de Sheila Tanaka/ Christian Aid Brasil para FEACT .

Após conferência global sobre América Latina e Caribe, ACT Aliança se posiciona diante contexto de retrocessos na região

Mais de 50 representantes de 32 organizações, oriundas de 21 países da América Larina e Caribe, América do Norte e Europa, convocados pela ACT Aliança, estiveram reunidos na Guatemala, de 27 a 29 de março, para discernir e discutir a complexa e instável situação da América Latina e Caribe, bem como suas relações com os processos políticos globais e suas implicações em relação aos Direitos Humanos, a segurança, a democracia, as necessidades humanitárias e o desenvolvimento sustentável. O objetivo foi definir estratégias que contribuam para soluções políticas, reconciliação social e solidariedade na região.
O fortalecimento de setores políticos e econômicos que promovem o conservadorismo; a violência de gênero e feminicídio; intolerâncias contra migrantes; os problemas em torno das mudanças climáticas e o protecionismo praticado para com empresas que se apossam de bens comuns; o crescente fundamentalismo religioso; e a violência contra defensores de direitos humanos, foram alguns dos temas debatidos durantes estes dias.

KOINONIA*, como organização membro da aliança, esteve presente, assim como o Fórum Ecumênico Brasil.

Foto: Sarah De Roure – Christian Aid.

Rafael Soares, diretor de KOINONIA, participou do painel sobre o papel que o fundamentalismo religioso acaba exercendo, trazendo a conjuntura vivida pelo Brasil.

Para Rafael, “o cristianismo tem sido um terreno receptivo para as negações cientificas (como supostas conexões entre vacinas e enfermidades, a questão das mudanças climáticas, etc) negações históricas (sobretudo em relação às literalidades da bíblia), e uma integridade moral, que não restringe ao ambiente particular e que toma espaços coletivos e políticas públicas (como a defesa de abstinência sexual como único método de combata às ISTs e gravidez precoce, por exemplo)”.

“Para os fundamentalistas, não basta negar a universidade, a ciência, a imprensa, como um “lobo solitário”, mas são necessários grupos e instituições que legitimem tão negações como verdades literais e integrais. Isso abarca desde grupos que militam pelo ensino do criacionismo nas escolas, como também comunidades defensoras de teorias conspiratórias como os terraplanistas. Se forma assim uma cosmovisão em que o mundo se divide entre nós, os esclarecidos, portadores da verdade, contra os demais, dominados e doutrinados pelas forças demoníacas, comunistas, secularistas e por aí vai”, completa.

Os membros da ACT Aliança, as organizações ecumênicas e as organizações baseadas na fé, da América Larina e Caribe, estão preocupadas – enfatizam – e muitas delas se veem afetadas pela reação violenta contra os Direitos Humanos e o estado de direito, a redução do espaço de ação da sociedade civil, a diminuição da liberdade de imprensa, a imparcialidade, o aumento da corrupção e a carência de transparência por posições políticas.

Como organizações baseadas na fé, não deixaram de fora a reflexão teológica: “A ação de Deus nos desloca, nos salva, nos exige perseverança e coragem para caminhar junto às lutas de nossos povos na construção de sociedades democráticas, na promoção da justiça econômica e socioambiental, na luta pela justiça de gênero e a justiça para as populações migrantes e deslocadas.”

A partir da região, foram pensadas ações pontuais de trabalho a curto e médio prazo, por exemplo: fortalecer a ação conjunta com agências e programas das Nações Unidas no intuito de impulsionar iniciativas regionais de justiça de gênero e contra todas as formas de violência que transformem marcos legais e eliminem leis discriminatórias; transpor a impunidade; lutar contra a redução do espaço de atuação da sociedade civil; dar visibilidade para a questão da gravidez na juventude; acompanhar as comunidades em seus processos de acesso à justiça.

“A gravidade do sofrimento dos nossos povos nos impele a levantar nossa voz frente aos poderes políticos e econômicos que causam a injustiça e a desigualdade que afetam milhões de vidas.

* Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA (com link: http://koinonia.org.br/quem-somos/sobre-koinonia).

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A seguir, a declaração completa:

Declaração final da Conferência Global sobre a América Latina e o Caribe

27 a 29 de março de 2018, Cidade da Guatemala

Somos mais de 50 representantes de 32 organizações de 21 países da América Latina e do Caribe, América do Norte e Europa convocados pela Ação Conjunta das Igrejas da ACT Aliança¹ para discernir e discutir a situação complexa e volátil na América Latina e no Caribe, a intersecção com os processos políticos globais, bem como seu envolvimento nos direitos humanos, segurança, democracia, necessidades humanitárias e desenvolvimento sustentável.

A ACT Aliança é uma coalizão internacional de igrejas e organizações baseadas na fé que trabalham juntas em resposta humanitária, trabalho de desenvolvimento e incidência. No geral, os membros têm uma longa história de promoção da justiça social, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. Na Assembleia Geral da ACT Aliança, realizada em Uppsala, Suécia, no final de 2018, os membros da ACT da América Latina e do Caribe apresentaram seus compromissos para atuar conjuntamente¹ em situações políticas, econômicas, sociais e humanitárias, estas cada vez mais complexas.

Vemos que a região da América Latina e do Caribe enfrenta uma crise crescente com sérias implicações humanitárias e reações violentas aos direitos humanos e ao estado de direito. Desde junho de 2016, uma onda de eventos políticos negativos está afetando países como Venezuela, Brasil, Nicarágua, Guatemala, Honduras, Colômbia e Haiti. Estas se dão em um contexto de fortalecimento de setores políticos e grupos econômicos que promovem o conservadorismo, as políticas protecionistas e a intolerância contra imigrantes.

Este problema é agravado por uma invasão das indústrias extrativistas multinacionais e pelo impacto desigual provocado pelas mudanças climáticas. Essas empresas tiveram acesso injusto a bens comuns, como terra e água, sem proteção ambiental adequada ou tributação justa. Seus efeitos, aliados ao uso crescente de agroquímicos, são sentidos diretamente pelo meio ambiente e comunidades indígenas e camponesas. O impacto desigual das mudanças climáticas exacerba os processos de empobrecimento e migração de grandes setores da nossa população.

A violência política tem ceifado centenas de vidas. As execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias se dirigem cada vez mais às pessoas defensoras dos Direitos Humanos, ativistas sociais e políticos progressistas, povos indígenas, afrodescendentes, mulheres e pessoas LGBTI. O racismo, a xenofobia, o ódio às pessoas empobrecidas, a homofobia e a misoginia estão aumentando em todos os níveis.

Estamos cientes de que parte dos conflitos e da violência que vivemos na América Latina e no Caribe, bem como em outras partes do mundo, se baseiam no desenvolvimento do fundamentalismo religioso. No entanto, entendemos que não há fundamentalismo religioso sem fundamentalismo político e econômico que se alimenta das desigualdades, injustiças e

iniquidades. De fato, estão sendo desenvolvidas políticas discriminatórias a partir destes setores que ameaçam as convenções e acordos globais alcançados pela comunidade internacional.

Os membros da Aliança ACT, organizações ecumênicas e organizações baseadas na fé na América Latina e no Caribe, estão preocupados e afetados pela reação contra os direitos humanos e o estado de direito, a redução do espaço para a sociedade civil, a diminuição da liberdade de imprensa, o aumento da corrupção e a falta de transparência nos processos políticos.

A Quaresma nos faz recordar que é um momento particular de transformação pela ação divina que renova a vida. Testemunhamos a caminhada de Deus em nosso continente, de Sua palavra que se eleva profeticamente e nos transforma em esperança. Reconhecemos nas vidas e vozes de tantas mulheres e homens os sinais do Reino da Justiça, e na Sua morte e legado um apelo à ação pela dignidade. Aprendemos com os lutadores indígenas como Berta Cáceres de Honduras, das mulheres negras, como Marielle Franco do Brasil, de Alizon Mosquera, uma das centenas de defensores de direitos humanos mortos na Colômbia. Estamos retumbantes às vozes de milhares de pessoas na caravana dos migrantes na América Central, dos defensores ambientais da comunidade de Granadillas e das meninas vítimas do Lar Seguro Virgem da Assunção, na Guatemala.

A ação de Deus nos desloca, nos salva, nos exige perseverança e coragem para caminhar junto às lutas de nossos povos na construção de sociedades democráticas, na promoção da justiça econômica e socioambiental, na luta pela justiça de gênero e a justiça para as populações migrantes e deslocadas. A gravidade do sofrimento dos nossos povos nos impele a levantar nossa voz frente aos poderes políticos e econômicos que causam a injustiça e a desigualdade que afetam milhões de vidas.

Estamos cientes de que a busca pela superação da pobreza, da injustiça e da violência nos obriga a levar em conta a diversidade de temas e assuntos envolvidos na construção de soluções com propostas democráticas de solidariedade e de bem comum.

Vemos na voz e na ação pública da juventude, a criatividade e a potencialidade de uma voz profética diante da sociedade, dos governos e dos espaços multilaterais. Assumimos o compromisso de aprender com eles, de trabalhar em conjunto e de reforçar a sua participação e envolvimento nos processos decisórios.

Reconhecemos, a partir de nossa vocação ecumênica e interreligiosa, que se torna necessário e urgente: ampliar nossas alianças com diferentes organizações religiosas e com a comunidade religiosa; Fortalecer diálogos efetivos com organizações de direitos humanos, movimentos sociais, incluindo o setor privado e agências governamentais e multilaterais, atuando conjuntamente com provocação, reflexão e diálogo para caminhar no ritmo das rápidas mudanças da realidade, que deixam até hoje os paradigmas vigentes pouco válidos.

Agradecemos com especial atenção o acompanhamento da presidenta da Comissão Interamericana de direitos humanos (CIDH) Esmeralda Arosemena de Troitiño, de Luis Pedernera Reyna, do Committee on the Rights of the Child, bem como a presença de representantes das Nações Unidas na análise dos desafios e possibilidades de uma maior interação contra os desafios que são apresentados e projetados na América Latina e no Caribe.

Assumimos o compromisso de:

  • Estabelecer uma articulação regional e global que acompanhe as crises políticas e sociais na região, com especial atenção às situações vivenciadas nos países da Venezuela, Brasil, Nicarágua, Guatemala, Honduras, Colômbia e Haiti.
  • Promover e apoiar a voz e as estratégias das igrejas e organizações baseadas na fé frente ao fechamento dos espaços da sociedade civil, influenciando aos organismos regionais e globais.
  • Acompanhar as comunidades em seus processos de acesso à justiça em nível territorial, apoiando suas demandas e reivindicações.
  • Fortalecer a ação conjunta com as agências e programas das Nações Unidas para promover iniciativas regionais e globais de Justiça de gênero e contra todas as formas de violência que transformem quadros jurídicos e eliminem leis discriminatórias.
  • Desafiar a impunidade e a redução do espaço da sociedade civil e assegurar às cidadãs e cidadãos, sujeitas e sujeitos de direitos, desmascarando práticas nocivas e corruptas.
  • Fortalecer os espaços internos da Aliança, como as comunidades de práticas de Justiça de gênero e outros, para gerar visões e ações conjuntas contra o fundamentalismo religioso e a injustiça.
  • Garantir que as lideranças dos direitos humanos e da natureza sejam protegidos.
  • Visibilizar e influenciar órgãos oficiais para que a institucionalidade funcione, contra a estigmatização, falta de acesso e a falta de atenção para com defensores de direitos.
  • Evidenciar as violações de direitos, a fim de alcançar as agências e governos em instâncias de direitos humanos, reforçando o diálogo com a CIDH, o sistema das Nações Unidas e as organizações nacionais e internacionais de justiça.
  • Facilitar a voz das crianças e dos jovens, para que sejam sujeitas e sujeitos plenos de seus direitos. A defesa das crianças e dos jovens deve basear-se na realidade da inequidade e das desigualdades em que este setor serve como justificação e segue sofrendo com as consequências da exclusão.

Neste tempo de Quaresma e da proximidade da Páscoa da Ressurreição temos na certeza da nossa fé, que a esperança é revitalizada no Jesus encarnado, a quem nos viramos em face de toda a desesperança para renovar a nossa vocação de Justiça e de amor. Jesus, “para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna “(Evangelho de João 6:68).

 

Cidade da Guatemala, 29 de março de 2019.

 

¹ https://actalliance.org/act-assembly/assembly/public-statement

Planejamento 2019 com as mulheres quilombolas

Por Ana Gualberto

Nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2019 realizamos o planejamento das atividades com as mulheres em Camamu, BA, juntamente com o SASOP (Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais), STTR (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais) e EACMA (Escola Agrícola Margarida Alves).

Destaco que o foco da ação para 2019 de KOINONIA será na formação de redes e para isso, começamos a atividade recuperando a participação das mulheres quilombolas nos encontros estadual e nacional de mulheres negras.

KOINONIA foi responsável pela participação das mulheres quilombolas nestes encontros. Além de compartilharem a experiência, ficou pactuada a importância de manter a conexão com os outros grupos de mulheres negras

da Bahia, para a luta maior das mulheres negras, que compreende a busca pelo bem viver da sociedade.

Sobre as ações, destacamos a realização das oficinas e reuniões locais para formação e mobilização periódicas, e a necessidade de melhoria na gestão dos grupos e coletivos como grande preocupação das lideranças.

O debate sobre identidade quilombolas retornou com demanda especificada da comunidade de pimenteira que está com a associação desarticulada.

E a realização de momento de sensibilização e oficina de formação com os homens a partir do grupo que atuou na feira agroecológica das mulheres.

Além da feira anual de outubro, será realizada uma edição junina, organizada e promovida pelas próprias lideranças.

Estiveram presentes 15 mulheres de 10 comunidades, sendo 4 comunidades quilombolas.

 

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.

Fotos: Ivana Flores

 

#8M – O silencio é omissão, é crueldade, é pecado. Mulheres de Fé Contra a Violência!

Foto: Sara de Paula | Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito

A última sexta-feira, dia 8 de março foi marcada por uma série de eventos, atos e marchas pelo Dia Internacional da Mulher em diversas cidades do país.

Em São Paulo*, um grupo de religiosas de diversos grupos/ organizações estiveram unidas na Av. Paulista e marcharam juntas para reafirmar direitos, denunciar abusos e exigir justiça de gênero.

KOINONIA esteve presente ao lado de companheiras de diversas tradições religiosas e grupos como a  Rede Ecumênica da Juventude (Reju São Paulo), Evangélicas pela Igualdade de Gênero, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Frente Evangélica pela Legalização do Aborto, Católicas Direito de Decidir. Este não foi apenas um movimento aqui no Brasil, e é possível conferir os outros movimentos na página de Facebook e Instagram da Alc Noticias.

“Somos mulheres de fé, temos fé nas mulheres e numa espiritualidade que não nos oprime, muito pelo contrário, nos liberta pra sermos quem somos. Seguimos. Mulheres. Com fé. Na fé. Féministas.”, conta Natália Blanco , comunicadora de KOINONIA presente no grupo.

 

Foto: Equipe Patrícia Bezerra

Debate “Eu lutarei até o fim da violência contra a mulher”

Na mesma noite, o debate  puxado pelo Exército de Salvação reuniu cerca de 50 pessoas, de diferentes tradições religiosas e instituições na última sexta-feira, 8 de março. A mesa foi composta Ester Lisboa Assessora de KOINONIA, representando o projeto da Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência; a vereadora de SP Patrícia Bezerra; e o teólogo e professor Gedeon Freire de Alencar.
 

Para Ester Lisboa, “Falar sobre feminicídio, com mulheres e homens nos espaços religiosos é acreditar nas possibilidades de mudanças. É possível colocar a sua fé em prática, a serviço do outro. A violência contra a mulher é uma atitude aprovada culturalmente e religiosamente aceita. A cada duas horas uma mulher morre, por violência domestica, no Brasil. A desigualdade, entre homens e mulheres é estrutural, ou seja, social, histórica e culturalmente a sociedade designa às mulheres, um lugar de submissão e menor poder em relação aos homens. Qualquer outro fator – o desemprego, o alcoolismo, o ciúme, o comportamento da mulher, seu jeito de vestir ou exercer sua sexualidade – não são causas, mas justificativas socialmente aceitas para que as mulheres continuem a sofrer violência.

Foto: Equipe Patrícia Bezerra

Quando desconhecemos o assunto, quando nunca ouvimos falar sobre o tema, a ignorância nos respalda. Mas , quando o assunto já não é desconhecido, quando o tema está presente em minha comunidade. O silencio é omissão, é crueldade, é pecado. Que mais espaços religiosos, possam perceber a importância de se falar do assunto, que a violência não seja legitimada e abençoada pelos líderes das comunidades religiosas”, completa.

Neste ano, especificamente em abril, KOINONIA celebra 25 anos de existência. Anos de muita luta por direitos, desafios e também de alegrias. Conheça KOINONIA.