Caminhos abertos para superar o ódio e a intolerância na Bahia

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As religiões afro-brasileiras foram e são o sustentáculo dessa herança visível nos rostos de um pouco mais de 50% da população. Atacados por grupos religiosos cristãos fundamentalistas, mães e pais de santo, filhos e filhas das comunidades de terreiro, hoje se articulam em um sem número de organizações, comunidades e movimentos que lutam por respeito e garantia de seus direitos.
O racismo, em sua versão religiosa, fez aumentar o número de casos de violência contra terreiros, centros e roças de candomblé e umbanda ao longo do território brasileiro. A resposta também das mais variadas, é o que nos conta Ana Gualberto e Camila Chagas, autoras da publicação digital “Caminhos abertos para superar o ódio e a intolerância na Bahia”, que @ leitor@ tem em suas telas. Protagonista de sua história, o povo de santo, vem resistindo às tentativas de demonização, ao desrespeito, violências simbólicas, físicas e psicológicas. Para falar sobre esse tema a Fundação Heinrich Böll e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço lançam o Caderno Religião e Política, que nesta edição mapeia iniciativas da sociedade civil e do Estado contra a intolerância e o racismo religioso.

Autoras: Ana Gualberto e Camila Chagas

Ano: 2019

Por uma perspectiva afrorreligiosa: estratégias de enfrentamento ao racismo religioso

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A Fundação Heinrich Böll e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço lançam o Caderno Religião e Política, que nesta edição mapeia iniciativas da sociedade civil contra o racismo religioso. Além de trazer para discussão questões de fundo em relação ao racismo religioso que permeia tantas manifestações de violência contra esse segmento.

Autor: Lucas Obalera de Deus

Ano: 2019

 

Todo dia deveria ser 21 de janeiro: KOINONIA apoia semana afirmativa da liberdade religiosa na Bahia

No dia 21 de janeiro é celebrado no Brasil o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Mesmo com a Lei 11.635, que institui o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e a Constituição Federal garantindo o respeito à liberdade religiosa, as agressões a pessoas ou locais de culto religioso continuam ocorrendo em todo o país.

O levantamento feito pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH), com base nas ligações para o Disque 100, aponta que, no primeiro semestre de 2018, foram registradas 210 denúncias de discriminação por religião. Entre as religiões que mais sofrem discriminação, está a umbanda, com 34 denúncias; o candomblé, com 20; e a evangélica, com 16 casos.

O Diretor Executivo de KOINONIA, Rafael Soares de Oliveira destaca a relevância desta data: “O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa não deveria ser comemorado. Ele é celebrado para marcar, para lembrar as pessoas que a intolerância religiosa no Brasil, infelizmente, continua grassando nos meios populares, principalmente contra a religiosidade de matriz africana, umbanda, candomblé”.

Nos últimos 3 anos, KOINONIA busca integrar ações de organizações e instituições públicas na promoção da laicidade do estado e pela liberdade religiosa como direito humano. Neste sentido construímos coletivamente as ações que acontecerão em janeiro de 2019.

KOINONIA que há 25 anos luta pela superação da intolerância e promoção do diálogo inter-religioso,  convida todxs para as atividades da semana afirmativa da liberdade religiosa que será realizada na Bahia entre os dias 19 a 25 de janeiro.

Programação:

19/01/2019

Diálogos contra a intolerância e ódio religioso

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e a Igreja Anglicana, promovem a roda de Diálogos contra a intolerância e ódio religioso

Hora: 18:00

Local: Capela do cemitério dos Ingleses. Avenida sete de setembro 3346 – Barra, Salvador (BA)

 

21/01/2019

Caravana afirmativa da liberdade religiosa

O Grupo de Atuação Especial de Defesa dos Direitos Humanos convida servidores (as), promotores (as), promotores (as) de justiça, sacerdotes, sacerdotisas e fiéis de todo credo e a sociedade civil para uma Caravana Afirmativa da Liberdade Religiosa. Caminharemos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos à Catedral Basílica de Salvador, onde faremos uma celebração inter-religiosa, às 17h, pelo fim da intolerância religiosa, do ódio religioso e pela solidariedade entre adeptos de diferentes confissões.

Hora: 16:00

Local do encontro: Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Largo do Pelourinho, s/n – Pelourinho. Salvador (BA)

Local da celebração: Catedral Basílica de Salvador. Largo do Terreiro de Jesus, s/n, Pelourinho. Salvador (BA)

 

23/01/2019

6º Diálogos Construtivos: O que fazer ao sofrer ou presenciar um crime de Intolerância religiosa

A oficina de formação será conduzida pela promotora de Justiça Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz e o advogado Hédio Silva Junior.

Hora: 14:00

Local: Terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum. 1ª Travessa Luiz Viana Filho, n. 7 – Nova Brasília de Itapuã, Salvador (BA)

 

24/01/2019

 Oficina de estudos de casos de intolerância e ódio religioso

Evento com a participação do Dofono Hunxi, da advogada Maíra Santana Vida (conselheira estadual e atual presidente da Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-BA), e da capitã Thaís Trindade (representante do Núcleo de Religião de Matriz Africana – Nafro).

Hora: 15:00

Local: Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe. Rua do Curuzú, n. 222 – Liberdade,  Salvador (BA)

 

25/01/2019

III Seminário sobre Intolerância Religiosa e Estado Laico

 

Hora: 09:00 às 18:00

Local: Auditório J.J. Calmon de Passos, Avenida Joana Angélica, n. 1312, Nazaré, Salvador (BA)

Inscrições AQUI 

 

 

 

Realização

KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço

Coordenadoria Ecumênica de Serviço

Todos contra o Racismo

Ministério Público do Estado da Bahia

 

Conheça:

Dossiê Intolerância Religiosa

Assessoria jurídica nas atividades de KOINONIA na Bahia

Nos últimos meses KOINONIA Bahia participou de algumas atividades no âmbito do fortalecendo e promoção de direitos. Confira:

OUTUBRO

No dia 19 de outubro KOINONIA ao lado de outras organizações atuou na 7ª edição da Feira Agroecológica de Mulheres do Baixo Sul, em Camamu. A atuação ficou por conta do suporte, atendimento jurídico e articulação com servidores do Judiciário. Na feira, realizada por meio da articulação de Mulheres do Baixo Sul, e outras organizações e movimentos sociais, recebe mulheres de diferentes cidades da região que levam seu produtos agrícolas e artesanais, cultivados e criados por elas para exposição e venda. Ao mesmo tempo o evento sempre procura abordar e debater a problemática da violência contra a mulher, além dos caminhos para solucioná-lo, principalmente, pela via das políticas e serviços adequados ao dia a dia da mulher negra rural. Além disso acontecem apresentações de artistas e grupos culturais locais. Somando 14 municípios, nos quais quase metade da população vive em áreas rurais, a região do Baixo Sul vive um histórico problema de violência física, psicológica e simbólica contra as mulheres, agravado pela pouca adaptação das políticas e serviços públicos à realidade local. Muitas das comunidades se encontram afastadas dos centros administrativos das cidades, o que dificulta inclusive o acesso das mulheres à rede de efetivação de direitos básicos, principalmente em casos de violência. A feira de agroecológica de mulheres surgiu em 2012 com o objetivo de manter essas comunidades atentas à questão da desigualdade de gênero em suas diferentes expressões, criando, simultaneamente, oportunidades para que as mulheres – muitas vezes excluídas da partilha dos dividendos da pequena produção agrícola – pudessem comercializar bens que são fruto de seu trabalho. A iniciativa conta com o apoio de organizações como KOINONIA, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves, Centro público de Economia Solidária (Sesol) Fundação Heinrich Böll Brasi, ActionAid, Respeita As Mina, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Camamu (STTR), Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (Sasop) e FASE.

NOVEMBRO

Nos dias 22 e 23 participamos do Projeto Pai Presente em Camamu, pelo viés da Justiça Social, na realização de atendimento e elaboração dos  documentos oficiais: termos, ofícios, encaminhamentos, requerimentos de exame para reconhecimento espontâneo de paternidade, posteriormente assinados pelo juiz.

DEZEMBRO

Durante o dia 08 de dezembro KOINONIA realizou em Quingoma (Lauro de Freitas) atendimento Jurídico e participação na roda de conversa cujo tema foi “O cuidado com o outro como ferramenta de resistência”.

 

 

 

Festejar sem medo…

 

Por que se enfurecem as gentes

E os povos imaginam coisas vãs?

(Davi, Salmo 2)

 

Nas tradições litúrgicas natalinas, este salmo é lido. . Quem cotejar o texto integral perceberá quão político é o Natal. O fato é que os arranjos mais conhecidos imbricaram nascimento de Jesus nos sete últimos dias decembrinos e, com o ano novo, as celebrações nos invadem januárias. É tempo de aventura (ad+ventura) – a visão a espraiar-se deste presente para o futuro, a expectação do novo. E o novo é radicalmente político, mesmo como brinquedo. Os senhores de todas as guerras – de valores, de juros escorchantes, de lucros açambarcadores, de destruição e morte das esperanças – assustam-se e até se enfurecem ao saber que algo/alguém novo está surgindo e lhes foge ao controle: “Me avisem onde nasceu a criança; também queremos ir adorá-lo”, diz Herodes aos magos caminhantes a seguir a estrela. Nasceu sim, tiramos o eleito de séculos de espera e nem se sabe bem onde está; nasceu, sim, reacionários, e eleito de milhões e anda por aí mais vivo que todas as esperanças; nasceu (e sempre vai nascer) do grito de alforria de milhões de escravizados e famintos. E é por isso que todos os empanturrados estão repetindo e refrão-choramingas:

“Eu tenho medo…”

Nós, ‘koinônicos’ andarilhos pelas ruas de Oikoumene, unidos a milhares outros também queremos beijar a todos os ansiosos pelo novo, comungar com vocês, desejando vencer todos os medos, abracemos a esperança. 

Que seja corajosa e feliz a festa, neste advento de Novo! 

Amém! Axé!

Autor:  Carlos Cunha

Mulheres reafirmam direitos, atitudes éticas e vozes proféticas

Por Renate Gierus (Conselho de Missão entre Indígenas – COMIN) e Marilia Schuller (KOINONIA)

Como brasileiras e membros da Comunidade de Prática em Justiça de Gênero na América Latina e no Caribe, afirmamos a Declaração Pública de ACT Aliança sobre Solidariedade e Democracia no Brasil, elaborada pelo Fórum Ecumênico ACT Brasil e adotada pela assembleia de ACT Aliança no final de outubro. Esta Declaração aponta para o fato que a religião foi instrumentalizada por políticos na campanha eleitoral no Brasil, onde bispos, pastores e párocos usaram sua influência religiosa para apoiar projetos políticos claramente contrários aos direitos humanos.

Diante deste quadro expressamos nossa preocupação em relação aos retrocessos quanto aos direitos das mulheres e da comunidade LGBTI+ e o recrudescimento desta tendência no futuro mandato do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Como mulheres de organizações baseadas na fé é essencial reafirmar os direitos humanos e outras garantias fundamentais consagradas na Constituição. É urgente também a reafirmação do Estado Laico, do desenvolvimento de ações cidadãs baseadas neste principio, de iniciativas de combate a intolerância religiosa e, como afirma a Declaração, “assegurar a livre expressão de todas as religiões e orientar políticas públicas baseadas em direitos civis e constitucionais sem estar baseado em uma religião particular”. Faz-se premente a construção do respeito às religiões e, principalmente, às religiões afro-brasileiras e indígenas.

A situação política, econômica e socioambiental que o Brasil vive, necessita de organizações e pessoas que tenham atitudes éticas e vozes proféticas. Como ressalta a Declaração, a fé “nos compromete incondicionalmente com a dignidade humana, o cuidado dos bens coletivos, a cultura de paz e a não-violência e a promoção dos direitos humanos e a justiça expressos claramente no Evangelho, principalmente nas Bem-aventuranças (Mt 5: 1 -12), e nas práticas de misericórdia (Mt 25: 35-45)”.

A partir desta fé, precisamos agir para que diminua a violência contra os povos indígenas, pessoas negras, mulheres, defensores e defensoras de direitos humanos. Segundo matéria do ViceBrasil, o feminicídio poderá aumentar, quando houver a liberação do uso de armas, pretendida pelo presidente eleito. “Mulheres e crianças são as maiores vítimas da violência no lar. Com a liberação e aumento da circulação de armas de fogo, a letalidade das agressões deve aumentar incidindo sobre os índices de feminicídios”, explica Maria Letícia Ferreira, advogada da Bahia.[1] O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, questiona toda a desigualdade, discriminação, injustiça e morte no Brasil, país que ocupa o 5° lugar no ranking mundial com mais assassinatos de mulheres.

Como mulheres de organizações baseadas na fé clamamos pelo fim da violência! Proclamamos a paz, a democracia e a efetivação do Estado Laico!

[1] Trata-se de Maria Letícia Ferreira, do TamoJuntas, organização que presta assessoria jurídica, psicológica, social e pedagógica gratuita a mulheres em situação de violência. Conforme https://cebi.org.br/noticias/liberacao-da-posse-de-arma-pode-aumentar-casos-de-feminicidios-no-brasil/, página acessada em 13.11.18.

Relato: Juventude latinoamerica se reúne em El Salvador para discutir Água, Alimentação e Justiça Climática

É tempo de reconciliação com a Pacha Mama*

No dia 1 de novembro havia se passado 3 dias do resultado das eleições presidenciais no Brasil e eu estava indo pra San Salvador (capital de El Salvador, um país de cerca de 21 mil km² de extensão. O estado de São Paulo no Brasil, onde vivo, tem cerca de 248 mil km²). Estava a caminho da EcoSchool 2018 “Água, Alimentación y Justicia Climática” para me juntar a um grupo de jovens de diversos países da América Latina e Caribe para 12 dias de trabalho intenso sobre a temática. A iniciativa é do Conselho Mundial de Igrejas em parceria com o escritório da ACT Aliança para a América Latina, a qual KOINONIA e outras organizações brasileiras fazem parte.

Fui decidida a desligar de tudo que vinha pensando/passando no meu país. Mas como o “vento sopra onde quer” (na linguagem ecumênica), fui surpreendida.

Bem, falar sobre água, alimentação e justiça climática sob por meio de uma perspectiva teológica é bastante desafiador. Porque quando nós, como pessoas e organizações, instituições baseadas na fé, nos comprometemos com os valores de justiça do reino nossas responsabilidades se multiplicam.

Logo no primeiro dia da EcoSchool escutamos Ángel María Ibarra Turcios, vice ministro do Meio Ambiente e Recursos Naturais do governo de El Salvador, que nos apresentou o contexto do país em relação aos temas de água, clima e alimentação, frente aos abusos praticados por grandes corporações, na privatização de recursos naturais e completa despreocupação com as vidas que ali habitam.

“Este ano El Salvador enfrentou a maior seca dos últimos 40 anos, prejudicando abastecimento de água, alimentos, energia. Enquanto isso sabemos que 6 empresas transnacionais controlam o mercado mundial”, afirma Ibarra. Famílias de baixa renda sofrem com a escassez de água. Mil litros de água potável custam cerca de cinco dólares no país.

“O ser humano se divorciou da Mãe Terra, nossa Pacha Mama. Precisamos lembrar que somos seres vivos, somos parte e dependemos dela Oiukumene significa isso, casa comum”.

É preciso romper com as lógicas colonizadoras, que se tratando das igrejas cristãs, são muito presentes ainda hoje na América Latina, e nos voltarmos para aprender com aqueles e aquelas que sempre cuidaram desta terra sagrada. Habitar a casa comum, oikoumene, nos proporciona uma chance de nos reconciliarmos com a criação e aprender com os conhecimentos milenares dos povos originários que resistem. Dessa forma uma ruptura radical com os padrões de consumo e de produção impostos pelo sistema imperialista é possível.

Ouvimos movimentos como a Via Campesina, e sua trajetória de resistência na defesa da terra e produção agroecológica. Os desafios do Foro Del Agua de El Salvador, e como movimento conseguiu unir diferentes movimentos sociais, como o ARA (nome) a Kawoq, movimento de ecofeministas, todos juntos na luta pela água como um direito humano inegociável.

KOINONIA tem tido a experiência de assessoras comunidades na região do Baixo Sul da Bahia que atuam diretamente com a questão da produção agroecológica. Como o caso da Feira Feira Agroecológica de Mulheres em Camamu, que este ano já está em sua 7º edição. Na feira, mulheres de diferentes cidades da região expõem produtos agrícolas e artesanais, cultivados e criados por elas. Ao mesmo tempo debatem o problema da violência contra a mulher, além dos caminhos para solucioná-lo, principalmente, pela via das políticas e serviços adequados ao dia a dia da mulher negra rural.

Segundo Sara Garcia, Ecofeminista do movimento Kawoq e integrante do Foto Del Agua de El Salvador, “temos defendido nosso corpo, terra e território. E fazemos um trabalho de incidência para formação e sensibilização das comunidades. Estamos como mulheres defensoras, lutando ao lado de todo movimento nacional aqui em El Salvador por meio da Aliança Nacional Contra a Privatização”.

“El água no se vende, se cuida y se defende!” (Água não se vende, se cuida e defende!)

É tempo de reunir forças e resgatar esperanças

Seria muito difícil escolher um único momento marcante de toda a experiência durante estes 12 dias porque muito mais que as reflexões teóricas e práticas, com excelentes especialistas, exposições técnicas e discussões em grupo acerca desses três temas; pude ver como aprendemos no encontro com outrxs.

A escuta, a troca, os questionamentos, o “confronto” de realidades. E no meio desse confronto, reconciliação. E a partir de todo aprendizado também pudemos planificar ações para atuarmos regionalmente em nossos países, comunidades e organizações.

Também ouvimos relatos de resistência como o poema da companheira Patrícia Morales sobre Dom Oscar Romero, canonizado recentemente pelo Papa Franciscco  e defensor dos mais pobres e oprimidos. Romero foi voz profética durante um período tenebroso da história do país e morreu assassinado enquanto presidia a Santa Missa, no dia 24 de março de 1980, por um atirador de elite do exército de El Salvador.

Patrícia recitou seu poema durante a visita que realizamos pela casa onde o Monsenhor viveu na capital. Com a voz carregada de emoção e os olhos marejados pelas recordações daquele tempo:

Sucedió un Domingo de Ramos

Voy a contar una historia
 Algo que pasó de verdad
 Todavía vive en mi memoria
 Lo sucedido en Catedral...
 
 En Catedral comenzó su jornada
 En Catedral alzó su voz
 Catedral es ahora su última morada
 A Catedral llega el pueblo
 Con su dolor
 
 El 24 de marzo lo asesinaron
 El 30 era su funeral
 Fue un domingo, Domingo de Ramos,
 Domingo de luto
 en Catedral
 ….
 Era inevitable
 Aquel mar de gente era inevitable
 ¿Cómo contener a un pueblo herido
 por la pérdida de un hijo?
 ¿Cómo se controla un cuerpo
 cuando le amputan un miembro?
 
 El dolor era grande
 Siempre duele que se derrame la sangre
 Siempre que muere un hijo
 Llora la madre
 
 Era inevitable.
 
 Y ellos lo sabían
 los cobardes lo sabían
 y tenían miedo...
 
 Aquel mar de gente
 había venido desde lejos
 
 Desde Aguilares
 Desde Chalate
 Desde Cojute
 Desde San Pedro
 
 Desde todos los rincones
 de nuestro suelo
 llegaron hombres, mujeres y niños,
 jóvenes y viejos
 sacerdotes, religiosas,
 intelectuales y reporteros
 
 Hermanos de otros países
 se unieron a nuestro duelo
 acompañando el lamento
 de nuestro pueblo
 
 Aquel mar de gente
 inundaba el centro
 desbordaba las plazas
 las aceras, las calles,
 el templo
 
 Largas filas de manifestantes
 venían desfilando
 desde el Parque
 su jornada era de luto
 pero también de combate
 denunciando y condenando
 las masacres
 
 Al frente de las filas
 iban los obreros
 y con el puño en alto
 y en silencio
 rindieron homenaje
 a Monseñor Romero
 
 Los aplausos rompieron el silencio
 Al ver llegar tan dignamente
 Aquella manifestación
 De dolor sincero
 
 La gente reunida
 solidariamente
 compartía aquel día
 Un riesgo evidente
 La rabia de los perros
 Esa rabia de muerte
 No soportó
 nuestro gesto valiente
 
 Su cobardía hizo
 Estallar una bomba
 Y surgir la ráfaga
 Y otra bomba
 Y otra bomba
 
 El horror se regó
 Y comenzó la estampida
 y entre el humo y los gritos
 la gente caía
 
 La multitud corrió desesperadamente
 Gritando
 Temblando
 Llorando
 Rezando
 
 Aquel mar de gente
 Estaba en agonía
 Nuevamente
 Le asestaban una herida
 
 Decenas de muertos
 Fue la respuesta
 De los golpes, la asfixia,
 Y la balacera
 
 Las calles quedaron vacías
 Solo el dolor vagaba en las esquinas
 
 En medio de la plaza
 Esta imagen se prendió en mis pupilas:
 Una montaña de pañuelos,
 Zapatos, carteras,
 Y las palmas esperando
 Su agua bendita
 ..…
 
 Mientras tanto
 Monseñor Romero
 Quedó en su ataúd
 Ya no hubo entierro
 Y desde algún lugar
 Fue mudo testigo
 De la masacre de aquel domingo
 ….
 
 Los guardias y soldados
 No escucharon su llamado
 Oyeron la voz de su amo
 Cobardemente
 Ordenando dar muerte
 La mañana de aquel
 Domingo de Ramos

Patrícia Morales
 (San Salvador, Semana Santa de 1980, escrito a mis 17 años)

E como disse lá em cima que “o vento sopra onde quer”, eu não consegui me desligar de tudo que vinha passando. Não é novidade, a eleição no Brasil foi noticiada no mundo inteiro. As notícias sobre como denominações evangélicas se apropriaram de um discurso de ódio para colocar em prática um projeto de poder correram.

E no dia que fui surpreendida pela imagem do “ninguém solta a mão de ninguém” durante o momento de reflexão em grupo, entendi o luto pelo qual estava passando sem perceber (como o querido amigo Dario Barolin disse).

Mas ao mesmo tempo que sofri, vivi na prática isso de ninguém soltar a minha mão. Pude sentir as mãos, os ombros, os choros, as palavras e o carinho. É no encontro com o outrx que nós nos encontramos, Cristo nos ensina isso.

E neste espírito de reconciliação comigo mesma, meus companheiros e companheiras, é que retorno com forças e esperanças para contribuir regionalmente na luta em defesa da criação e tudo que a envolve.

A EcoSchool 2018 é um esforço conjunto dos programas de água (rede ecumênica de água) a Aliança Ecumênica de Incidência (EAA) o programa de Justiça Econômica e Climática do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), juntamente com o Programa Global de Justiça Ecológica da FUMEC (WSCF), ACT Aliança ALC, Christian Aid, a Federação Luterana Mundial e da Universidade Luarana Salvadorense, com o apoio da Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA) e da organização Infaith.

*Pacha Mama – divindade máxima que representa a Mãe Terra, presente em diversas nas culturas indígenas dos povos originários latinoamericanos.

Mãe Gilda Vive, apesar da intolerância, racismo e violência, Mãe Gilda Resiste! #ActuandoUnidas

“Ela morreu por conta da intolerância religiosa. Seu busto fincado o espaço mágico que é a Lagoa do Abaeté, onde mora Oxum, é a representação de muitas lutas”. – Mãe Jaciara dos Santos

Foto tirada durante a celebração dos 4 anos do busto de Mãe Gilda, na Praça da Lagoa do Abaeté, Salvador. Foto: Adeloyá

 

No último domingo, 25 de novembro, foi o Dia Internacional de Combate a Violência Contra às Mulheres, e em Salvador foi dia de relembrar a luta e história de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá mártir do Abassá de Ogum, por meio da celebração de 4 anos de seu busto exposto na Praça da Lagoa do Abaeté.

Filhos do candomblé, representantes de movimentos sociais e da sociedade civil estiveram na celebração liderada por Mãe Jaciara dos Santos, filha biológica de Mãe Gilda e atual ialorixá do Abassá de Ogum.

“Uma celebração dessa fortalece a história de luta e da memória de mãe Gilda. O busto de minha ialorixá ali, em plena praça da Lagoa do Abaeté, quem passa por lá vai ver texto que fala o que aconteceu com ela. Ela morreu por conta da intolerância religiosa. Então esse busto fincado nesse espaço mágico, a lagoa que mora Oxum é representação de lutas”, disse Mãe Jaciara.

Entenda o Caso de Mãe Gilda

Em 2000, Mãe Gilda infartou após uma série de violências e difamações contra ela e seus filhos de santo. Agressões desencadeadas por uma publicação na primeira página do jornal Folha Universal, da igreja Universal do Reino de Deus, sob a chamada “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes” e uma foto de Mãe Gilda.

Após uma série de lutas na justiça, Mãe Jaciara e a equipe jurídica de KOINONIA conseguiram a vitória. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de Janeiro, é uma homenagem à Iyalorixá. Mas isso não foi suficiente para que a perseguição e o racismo religioso cessasse. Em 2016 o busto erguido em memória de Mãe Gilda, no bairro de Itapuã, foi destruído. Saiba mais.

Apesar do aumento dos adeptos às religiões de matrizes afro, cresce também o número de casos de intolerância

De janeiro a junho de 2018, 71 denúncias de intolerância religiosa foram registradas pelo Disque 100, serviço 24 horas de atendimento do Ministério de Direitos Humanos. Um aumento em 7,5% em relação ao ano passado. Os dados foram obtidos pelo G1 por meio da Lei de Acesso a Informação (LAI).

Isso sem contar aquelas denúncias que não chegam a ser registradas, pois em muitos lugares do país as pessoas desconhecem o serviço do Disque 100.

Para Mãe Jaciara, intolerância se manifesta em diversas facetas, e o descaso do poder público em pautar esses temas é uma delas. “O poder público precisa entender que essas ações são ações vindas da sociedade civil, mas que o governo deveria pautar mais, inclusive o apoio da prefeitura. Por exemplo, o busto de Mãe Gilda em 4 anos não teve nenhuma reparação de cuidado toda a reforma foi feita com a coleta da contribuição dos filhos do terreiro e eu terminei arrumando, cobrindo com telhas e arrumando o espaço”, afirma.

Mulheres negras e de santo resistem!
Mãe Jaciara dos Santos

O busto faz aniversário no dia 28 de novembro, mas como domingo, 25/11, era o Dia Internacional de Combate a Violência Contra a Mulher e também o Dia da Baiana do Acarajé (data especialmente comemorada na Bahia), foi simbólico sua celebração nestas ocasiões.

Afinal é fato que as mulheres negras são maiores vítimas de violência no país. Seja psicológica, física, patrimonial, “e as mulheres negras do candomblé ainda carregam a carga por serem de santo, o racismo tem matado essas mulheres, tem deixado mulheres com autoestima baixa”, como enfatiza Jaciara.

E termina: “é urgente o empoderamento e fortalecimento do empreendedorismo que as mulheres estão fazendo. As mulheres negras sempre tiveram este papel, de nortear, e de fazer com que as dores e as mazelas sigam para outros caminhos, com rituais, cantos, danças. Então minha mensagem é que nós estamos juntas. As mulheres estão se empoderando de conhecimento e sabem que podem denunciar, tem o direito e ferramentas para isso”.

 

Por Natália Blanco/ KOINONIA

#ActuandoUnidas – KOINONIA e ACT Aliança pela fim da violência de gênero!

(Versión en español al final de la página)

Entre os meses de julho a novembro de 2018, muitas ações de KOINONIA continuaram a estar focadas nos eixos temáticos que promovem e fortalecem direitos das mulheres e da população LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexos e outras identidades e orientações sexuais), suscitando e aprofundando, também entre religiosos, o debate sobre os temas da não-discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, assim como o da questão da violência contra a mulher.

  • No campo da promoção da igualdade de gênero, tiveram seguimento às ações de fortalecimento do protagonismo das mulheres quilombolas com ênfase no fortalecimento da autonomia econômica centrada na identidade negra, através do projeto Comércio com Identidade apoiado pela Secretaria Estadual de Trabalho, Emprego e Renda e Pão Para o Mundo.
    • Apoio e participação em debates, caminhadas e seminários do movimento Julho das Pretas, na cidade de Salvador, Bahia. (Em 25 de julho de 1992, a Primeira Reunião de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana, foi concebida como um dia de luta para refletir sobre a condição das mulheres negras na América Latina e no Caribe, e venceu a criação de Julho das Pretas).
    • Foram realizadas oficinas, reuniões de avaliação, atividades de intercâmbio, feiras das mulheres quilombolas (agricultoras/pescadoras), em temas como enfrentamento e combate à violência contra as mulheres, fabricação de bio-jóias, turismo comunitário e gastronomia/restaurantes de quilombos, construção de logomarca de produtos e estratégias de comunicação centrada na identidade negra, empreendedorismo e comercialização.
    • As locais das ações de “Comércio com Identidade” são cidades do estado da Bahia.
    • Articulações de mulheres quilombolas no estado do Rio de Janeiro: Com a parceria de KOINONIA, mulheres quilombolas do estado do Rio de Janeiro reuniram-se em agosto discutindo o tema relações de gênero e a criação de um coletivo de mulheres quilombolas.
    • Articulações em nível nacional: Quatro mulheres quilombolas do encontro estadual do RJ participarão como delegadas do Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas em dezembro de 2018, em Goiânia, MT.

 

Na defesa dos direitos da população LGBTI+, KOINONIA tem atuado pela superação de estigmas no campo da saúde e afirmação de direitos, cujo reflexo mais grave é a vulnerabilidade do grupo – principalmente da juventude – ao HIV e outras IST (Infecções sexualmente transmissíveis). Nessa linha, temos nos empenhado na formação de lideranças para atuarem como agentes de prevenção em saúde e defesa de direitos sexuais e reprodutivos de LGBTI+. Em relação a pessoas transexuais e travestis, o eixo tem abrigado projetos e iniciativas visando incluir tais sujeitos na experiência cidadã. Não é nenhuma novidade que infelizmente o Brasil ocupa espaço em péssimas e alarmantes estatísticas quanto aos direitos da população LGBTI+ sua diversidade e intersecções.

  • Juventude, Sexualidade e Direitos Humanos e o projeto Prevenção Sem Fronteiras: A parceria de KOINONIA com o Programa Municipal de DST/ Aids de São Paulo, vem atuando desde novembro de 2017, visa à realização de oficinas em diversos espaços da juventude na periferia da cidade de São Paulo. Escolas, coletivos, associações de bairro e comunidades religiosas estão entre os espaços que o projeto circula. O objetivo é construir junto pontes de diálogo e trocar experiências de aprendizado com a juventude.
    • Foram realizadas oficinas sobre Direitos Humanos, Prevenção e Sexualidade. Lúdicas e interativas – a exemplo do jogo Prevenidas Game, que conta com uma metodologia de jogo de tabuleiro humano sobre prevenção- as oficinas abordam temas como participação juvenil, direitos humanos e comunicação positiva, aonde o jovem é instigado ao aprendizado e à disseminação de informação.
    • Os locais das ações de “ Prevenção Sem Fronteiras “ e a periferia da cidade de São Paulo.

 

  • Encontro Nacional Evangelicxs Pela Diversidade para discutir o Movimento LGBTI+, Desafios e Perspectivas no Brasil pós-eleições e estratégias de atuação. KOINONIA participou e apoiou esta reunião realizada na cidade do Rio de Janeiro, UERJ, em novembro de 2018. Evangélicxs – Juntos pela Diversidade é uma iniciativa, uma campanha e um movimento que visa ampliar e qualificar a conversação sobre a relação entre a diversidade sexual, identidade de gênero e fé cristã evangélica, levando em conta o cenário de crescente conservadorismo nas comunidades cristãs

 

Texto en Español:

Entre los meses de julio a noviembre de 2018, varias de las acciones de KOINONIA continuaron estando enfocadas en los ejes temáticos que promueven y fortalecen derechos de las mujeres y de la población LGBTT (lesbianas, gays, bisexuales, travestis, transexuales, intersexos y otras identidades y orientaciones ), suscitando y profundizando, también entre religiosos, el debate sobre los temas de la no discriminación por orientación sexual e identidad de género, así como el de la cuestión de la violencia contra la mujer.

  • En el campo de la promoción de la igualdad de género, tuvieron seguimiento a las acciones de fortalecimiento del protagonismo de las mujeres quilombolas con énfasis en el fortalecimiento de la autonomía económica centrada en la identidad negra, a través del proyecto Comercio con Identidad apoyado por Secretaría Estatal del Trabajo Renta y Empleo y la agencia de cooperación internacional Pan para el mundo.
    • Apoyo y participación en debates, caminatas y seminarios del movimiento Julio de las Pretas, en la ciudad de Salvador, Bahía. (El 25 de julio de 1992, I Encuentro de Mujeres Afro-Latinoamericanas y Afro-Caribeñas, en la República Dominicana, fue pensado como día de lucha para reflexionar sobre la condición de las mujeres negras en América Latina y el Caribe, y ganó destaque la creación del Julio de las Pretas).
    • Se realizaron talleres, reuniones de evaluación, actividades de intercambio, ferias de las mujeres quilombolas (agricultoras / pescadoras), en temas como enfrentamiento y combate a la violencia contra las mujeres, fabricación de bio-joyas, turismo comunitario y gastronomía / restaurantes de quilombos, construcción de logo de productos y estrategias de comunicación centrada en la identidad negra, el desarrollo del espíritu empresarial y la comercialización.
    • Los locales de las acciones del “Comercio con Identidad” son ciudades en el estado de Bahía.
    • La articulación de mujeres quilombolas en el estado de Río de Janeiro: Con el apoyo de KOINONIA, mujeres quilombolas del estado de Río de Janeiro se reunieron en agosto discutiendo el tema relaciones de género y la creación de un colectivo de mujeres quilombolas.
    • Articulaciones a nivel nacional: Cuatro mujeres quilombolas del encuentro estadual del RJ participarán como delegadas del Encuentro Nacional de Mujeres Quilombolas en diciembre de 2018, en Goiânia, MT.

 

En la defensa de los derechos de la población LGBTI+, KOINONIA ha actuado por la superación de estigmas en el campo de la salud y afirmación de derechos, cuyo reflejo más grave es la vulnerabilidad del grupo -principalmente de la juventud- al VIH y otras IST (Infecciones sexualmente transmisibles). En esta línea, nos hemos comprometido en la formación de liderazgos para actuar como agentes de prevención en salud y defensa de derechos sexuales y reproductivos de LGBTI+. En cuanto a personas transexuales y travestis, el eje ha acogido proyectos e iniciativas para incluir tales sujetos en la experiencia ciudadana. No es ninguna novedad que desafortunadamente Brasil ocupa espacio en pésimas y alarmantes estadísticas en cuanto a los derechos de la población LGBTI + su diversidad e intersecciones.

  • Juventud, Sexualidad y Derechos Humanos y el projeto Prevencion Sin Fronteras: La asociación de KOINONIA con el Programa Municipal de ITS / Sida de São Paulo, viene actuando desde noviembre de 2018, habiendo realizado talleres en diversos espacios de la juventud en la periferia de la ciudad de São Paulo. Escuelas, colectivos, asociaciones de barrio y comunidades religiosas están entre los espacios que el proyecto circula. El objetivo es construir junto puentes de diálogo e intercambiar experiencias e informaciones, de aprendizaje con la juventud.
    • Sobre Derechos Humanos, Prevencióny Sexualidad, se ha realizado talleres lúdicos e interactivos (por ejemplo el Prevenidas Game, una metodología de juego de tablero humano sobre prevención elaborado por los jóvenes involucrados en las acciones de KOINONIA). Otros temas son participación juvenil, derechos humanos y comunicación positiva, donde la juventud es instigada al aprendizaje y a la diseminación de información.
    • Los lugares de las acciones de la “Prevención sin Fronteras” son barrios de la periferia de la ciudad de São Paulo y el público es la juventud.
  • Encuentro Nacional de Evangelicxs por la Diversidad para dialogar sobre el Movimiento LGBTI, Desafíos y Perspectivas en Brasil post-elecciones y estrategias de atuaccion. KOINONIA participó y apoyó este encuentro celebrado en la ciudad de Río de Janeiro, UERJ, noviembre de 2018. Evangélicxs – Juntos por la Diversidad es una iniciativa, una campaña y un movimiento que pretende ampliar y calificar la conversación sobre la relación entre diversidad sexual, identidad de género y fe cristiana evangélica, llevando en cuenta el escenario de creciente conservadorismo en las comunidades cristianas

 

Declaração pública da Aliança ACT sobre solidariedade e democracia no Brasil

 

Declaração pública da Aliança ACT sobre solidariedade e democracia no Brasil

O Brasil enfrenta uma grave crise política, social, econômica e ambiental, caracterizada pela ameaça real ao Estado Democrático de Direito, que se revela na ameaça às liberdades civis, no ataque aos direitos humanos e a demais garantias fundamentais presentes na Constituição Federal.

O processo eleitoral ocorreu em cenários de violência política, comparado às ondas fascistas, de tempos passados. Símbolos da suástica apareceram em diferentes lugares públicos, em especial universidades, espaços onde circulam LGBTI+, igrejas.

A instrumentalização entre religião e política foi outra característica deste processo eleitoral. Bispos, pastores, padres têm colocado sua influência religiosa para apoiar projetos políticos claramente contrários aos direitos humanos, uma vez que reforçam a liberação do porte de armas para a população civil, defendem a o patriarcado, negam os direitos às mulheres e LGBTI+. Além da crise de instituições como Supremo Tribunal Federal, Minsitério Público Federal, experimentamos uma crise das instituições eclesiásticas.  Como ocorreu em outros países, em especial Inglaterra e EUA, no Brasil as fake news inundaram o processo eleitoral.

O resultado eleitoral autoriza o crescimento de posições fascistas. A democracia está em risco.

O atual contexto se caracteriza pelo aumento da intolerância, do racismo e da violência. Há um crescimento da violência de gênero e um retrocesso na justiça de gênero (são 12 mulheres assassinadas por dia). As violações de direitos humanos contra a população negra é uma prática sistemática, os dados do homicídio da juventude negra revelam o poder de extermínio do racismo brasileiro: 63 mortes de jovens negros por dia. Quanto aos indígenas, são assassinados mais de 100 por ano e cerca de 800 morrem por desnutrição e doenças (10% crianças menores de 5 anos) por ano e já são mais de 100 suicídios de indígenas por ano.

Em um país que não reconhece o valor da diversidade religiosa, não surpreende a atual perseguição às espiritualidades afro-brasileira e indígena. Ambas sofrendo vários tipos de ameaça e pressão. Tais pressões revelam o vínculo entre interesses financeiros de grupos ligados à mineração, agronegócio e mercado imobiliário, uma vez que, uma forma de desterritorialização de tradições indígenas, por exemplo, é justamente atacar ou eliminar sua religião, que oferece a cosmovisão e o sentido de vida a estes povos.  

Destaca-se o aumento dos crimes contra defensores de direitos humanos, com prisões arbitrárias, criminalização e assassinatos: segundo a Comissão Interamericana, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), três a cada quatro assassinatos de defensores de direitos humanos no mundo aconteceram na América Latina, concentrados no Brasil e na Colômbia, sendo em média, um assassinato a cada cinco dias no Brasil.

No dia 15 de outubro de 2018 foi publicado o Decreto 9.527 que cria a Força-tarefa de Inteligência para o enfrentamento do crime organizado. Sem esclarecer o que se compreende como crime organizado, organizações de Direitos Humanos e movimentos sociais identificam este Decreto como um meio de criminalização e perseguição contra organizações sociais que atuam em favor da justiça socioambiental, direitos humanos e organização popular.

Nós, Organizações Baseadas na Fé, nos vemos diante de um imperativo ético e profético.

Nossa fé é política na medida em que assume a responsabilidade cristã que vem do Batismo. É esta fé que nos compromete incondicionalmente com a dignidade humana, com o cuidado dos bens comuns, com a cultura da paz e da não violência, com a promoção dos direitos humanos e da justiça, expressos claramente no Evangelho, em especial, nas Bem-aventuranças (Mt 5.1-12), e nas práticas de misericórdia (Mt 25.35-45).

Portanto, denunciamos:

O fascismo e as suas ameaças à democracia;

As perseguições à espiritualidade afro-brasileira e indígena, e afirmamos a importância do enfrentamento às intolerâncias religiosas;

A violência de gênero;

A criminalização e assassinatos das Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos, Civis, Políticos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESC-A) em movimentos sociais, em redes e em organizações de ativismo e solidariedade social.

E chamamos à ação:

Os governos e organizações internacionais, para denunciarem essa situação e atuarem para a proteção e a garantia da segurança daqueles e daquelas que lutam pela causa da justiça e da paz, defensores e defensoras dos DHESC-A;

A solidariedade internacional em seus diversos organismos de diaconia, de ajuda e de financiamentos multilaterais e dos Estados, de modo a garantir um processo econômico com modelos inclusivos, de respeito à autogestão, autorregulação e participação dos povos tradicionais, das minorias e de todas as pessoas e comunidades excluídas do mercado de trabalho e de produtos, e a garantir o uso das riquezas do país para a redução das desigualdades socioeconômicas, para não deixar ninguém para trás, conforme os compromissos da Aliança ACT em seu documento sobre Desenvolvimento Transformador;

As instâncias de advocacy multilaterais à defesa do Estado Democrático de Direitos, que proteja, garanta e promova a realização permanente dos DHESC-A, e que invista em todos os mecanismos possíveis de redução das desigualdades e garantia da justiça de gênero, em colaboração com todos os membros da nossa Aliança e outros fóruns de ACT, bem como outros fóruns e redes de defesa dos direitos humanos, bem como com a comunidade ecumênica global;

Todas as iniciativas inter-religiosas que valorizam a importância da democracia direta, participativa e ampla, para difundirem a importância do Estado Laico, que deve zelar pela livre manifestação de todas as religiões e que deve pautar as políticas públicas a partir dos direitos civis e constitucionais, sem estar baseado em uma religião específica.